"Indecifrada escrita de outros astros"

NAVEGAÇÕES VI . Navegavam sem o mapa que faziam . (Atrás deixando conluios e conversas Intrigas surdas de bordéis e paços)  . Os homens sábios tinham concluído Que só podia haver o já sabido: Para a frente era só o inavegável Sob o clamor de um sol inabitável  . Indecifrada escrita de outros astros No … Continuar a ler

"Sob o rumor das folhas inspiradas"

Quem és tu  . Quem és tu que assim vens pela noite adiante, Pisando o luar branco dos caminhos, Sob o rumor das folhas inspiradas?   A perfeição nasce do eco dos teus passos, E a tua presença acorda a plenitude A que as coisas tinham sido destinadas.   A história da noite é o … Continuar a ler

Grécia

. “A Grécia é o ponto de partida a que é preciso regressar” . Sophia de Mello Breyner

"presença incerta"

Felicidade . Pela flor pelo vento pelo fogo Pela estrela da noite tão límpida e serena Pelo nácar do tempo pelo cipreste agudo Pelo amor sem ironia – por tudo Que atentamente esperamos Reconheci tua presença incerta Tua presença fantástica e liberta . Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)

Sei que seria possível…

A FORMA JUSTA . Sei que seria possível construir o mundo justo As cidades poderiam ser claras e lavadas Pelo canto dos espaços e das fontes O céu o mar e a terra estão prontos A saciar a nossa fome do terrestre A terra onde estamos – se ninguém atraiçoasse – proporia Cada dia a … Continuar a ler

Liberdade

MR040928 Aqui nesta praia onde Não há nenhum vestígio de impureza, Aqui onde há somente Ondas tombando ininterruptamente, Puro espaço e lúcida unidade, Aqui o tempo apaixonadamente Encontra a própria liberdade. . Liberdade, p. 28              Sophia de Mello Breyner Andresen                        (Porto, Novembro 6 1919 – Lisboa, Julho 2 2004)

Uma praia onde quebrar as suas ondas

O poema O poema me levará no tempo Quando eu já não for eu E passarei sozinha Entre as mãos de quem lê O poema alguém o dirá Às searas Sua passagem se confundirá Com o rumor do mar com o passar do vento O poema habitará O espaço mais concreto e mais atento No … Continuar a ler

Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas

Cidade . Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas, Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta, Saber que existe o mar e as praias nuas, Montanhas sem nome e planícies mais vastas Que o mais vasto desejo, E eu estou em ti fechada e apenas vejo Os muros e as paredes, e não vejo Nem … Continuar a ler

Porque

Porque  Sophia de Mello Breyner Andresen  Porque os outros se mascaram e tu não Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão Porque os outros têm medo mas tu não Porque os outros são os túmulos calados Onde germina calada podridão Porque os outros se calam mas tu não Porque … Continuar a ler

Sophia… para lembrar e para meditar…

Data Tempo de solidão e de incerteza Tempo de medo e tempo de traição Tempo de injustiça e de vileza Tempo de negação . Tempo de covardia e tempo de ira Tempo de mascarada e de mentira Tempo de escravidão . Tempo dos coniventes sem cadastro Tempo de silêncio e de mordaça Tempo onde o … Continuar a ler

intacta memória

«Intacta Memória»   Intacta memória – se eu chamasse Uma por uma as coisas que adorei Talvez que a minha vida regressasse Vencida pelo amor com que a lembrei   Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia

6 de Novembro de 1919 – 2 de Julho de 2004 Sophia de Mello Breyner Andresen viverá sempre entre nós. * Biografia   Tive amigos que morriam, amigos que partiam Outros quebravam o seu rosto contra o tempo. Odiei o que era fácil Procurei-te na luz, no mar, no vento. Sophia de Mello Breyner Andresen … Continuar a ler

Eterna mas perdida…

.                                                             … A memória longínqua de uma pátria Eterna mas perdida e não sabemos Se é passado ou futuro onde a perdemos … (de “No Tempo Dividido“) Sophia de Mello Breyner Andresen

Estrela…

A Estrela . Sophia de Mello Breyner Andresen . Eu caminhei na noite Entre silêncio e frio Só uma estrela secreta me guiava . Grandes perigos na noite me apareceram Da minha estrela julguei que eu a julgara Verdadeira sendo ela só reflexo De uma cidade a néon enfeitada . A minha solidão me pareceu … Continuar a ler

Ruas… Marinheiro sem mar

Marinheiro sem mar poema incluído em Mar novo, obra publicada por Sophia de Mello Breyner Andresen em 1958   Longe o marinheiro tem Uma serena praia de mãos puras Mas perdido caminha nas obscuras Ruas da cidade sem piedade   Todas as cidades são navios Carregados de cães uivando à lua Carregados de anões e … Continuar a ler

inteiro e limpo

25 de Abril Esta é a madrugada que eu esperava O dia inicial inteiro e limpo Onde emergimos da noite e do silêncio E livres habitamos a superfície do tempo                                            Sophia de Mello Breyner Andresen