teu sono abandonado

Entreacto delico-doce   Lembrarei o rigor eterno do teu sono abandonado. Guardarei, sem o saber, o teu mais misterioso desejo. Quando para sempre tiveres partido, uma noite nos trará um sonho que se interromperá no exacto momento em que acabares de beber as minhas lágrimas e os teus lábios calarem, finalmente, os meus gritos aflitos no … Continuar a ler

Todos o sabemos

Eminentemente . Naquele minucioso instante Em que talvez tenhamos vivido Simulamos todos um ente Esquecemos quem fomos Perdemos quem podíamos ser E nunca mais o seremos Todos o sabemos . . Renato Cosme (n. 1954) In.: “Onze lapsos” 060126

E teu sorriso corrompa toda a cidade…

Ideal Não peço mais que uma serena madrugada Onde te debruces sobre as ruas a sorrir E amanheças transparente e suave Num frémito de firme vontade iluminada A acenar à equidade dos dias a porvir E teu sorriso corrompa toda a cidade E meu cansaço encontre enfim uma morada     Renato Cosme (1954-  ) … Continuar a ler

Ctrl Alt Del

Ctrl  Alt  Del . (para uma “certa” forma de medir o tempo) . . Não contarás madrugadas cibernéticas de bits inquietos povoadas   . Não contarás redes telemáticas telepáticas recados digitalizados segredos sussurrados sonos perdidos sonhos acordados fotões vigilantes enfim mudos Tudo como dantes Não contarás   . . Não contarei duelos de afecto na cibernáutica noite … Continuar a ler

Urbanidades / Cambiantes

Cambiantes 1. Cruzar-nos-emos nessas ruas apressadas e aturdidas. Nossos olhos se encontrarão ao acaso com indiferença urbana e curiosidade estética. Trocaremos até algumas palavras, poucas, de indiscriminada delicadeza automática na multiplicidade de corredores e portas. Manteremos sempre a distância confortável de seres estranhamente reais, próximos nas afinidades, afastados convenientemente na civilidade do encontro meteórico, desprezável, … Continuar a ler

assim tem de ser!

Anima Transportaremos ancestralmente essa compulsiva auto-estima de sobrevivência que nos faz maus juízes e péssimos conhecedores das nossas vias e virtudes e das condutas outras. De quando em quando uma qualquer melancolia nos visita e a auto-estima adormece. É nessa obscuridade que sabemos mais claramente o “eu”, “os outros” e a “vida” que forjamos para … Continuar a ler