Somos o tempo

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História de Gilgamesh

História de Gilgamesh (Jorge Luis Borges, Livro dos Sonhos, tradução Claudio Fornari) (Encontrada algures na Net em português-Brasil)    Gilgamesh, dois terços deus, um terço homem, vivia em Erech. Invencível entre os guerreiros, governava com mão de ferro; os jovens o serviam e ele não deixava incólume uma só donzela. O povo rogou a proteção … Continuar a ler

"O que escreverei será sucessivo, pois a linguagem o é"

“Neste instante gigantesco, vi milhões de actos agradáveis ou atrozes; nenhum me assombrou mais do que o facto de todos ocuparem o mesmo ponto, sem sobreposição e sem transparência. O que os meus olhos viram foi simultâneo; o que escreverei será sucessivo, pois a linguagem o é.” Jorge Luis Borges Acevedo (1899-1986) (transversão livre para … Continuar a ler

El tiempo es un río que me arrebata

El tiempo es un río que me arrebata, pero yo soy el río; es un tigre que me destroza, pero yo soy el tigre; es un fuego que me consume, pero yo soy el fuego. El mundo, desgraciadamente, es real; yo, desgraciadamente, soy Borges.  Jorge Luis Borges Acevedo (1899 -1986)(Nueva refutación del tiempo).

"O sempre irreparável rio dos anos"…

Elegia Sem que ninguém o saiba, nem o espelho, ele chorou umas lágrimas humanas. Não pode suspeitar que comemoram todas as coisas que merecem lágrimas: a beleza de Helena, que não viu, o sempre irreparável rio dos anos, a mão de Jesus Cristo no madeiro de Roma, as velhas cinzas de Cartago, o rouxinol dos … Continuar a ler

Memória (XX)

O presente não se detém. Não poderíamos imaginar um presente puro; não teria valor. O presente tem sempre uma partícula de passado, uma partícula de futuro… Somos portanto algo cambiante e algo permanente. Somos algo essencialmente misterioso. Que seria de cada um de nós sem a memória? É uma memória em grande parte feita de … Continuar a ler

Um Mapa do Império

…Naquele Império, a Arte da Cartografia atingiu uma tal Perfeição que o Mapa duma só Província ocupava toda uma Cidade, e o Mapa do Império, toda uma Província. Com o tempo, esses Mapas Desmedidos não satisfizeram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império que tinha o Tamanho do Império e coincidia ponto … Continuar a ler

Não te assombres

Proteu . Antes que os remadores de Odisseu Fatigassem aquele mar cor de vinho As inefáveis formas adivinho Daquele deus cujo nome foi Proteu. Pastor dos mil rebanhos de oceanos E detentor do dom da profecia, Preferia ocultar o que sabia E entretecer oráculos e enganos. Instado pelas gentes, assumia A forma de leão ou … Continuar a ler

"Nunca saiu da sua biblioteca"

Leitores . Daquele fidalgo heróico de tez seca E tão citrina hoje se conjectura Que, em véspera perpétua de aventura Nunca saiu da sua biblioteca. A crónica que narra os seus risonhos Feitos e os tragicómicos desplantes Foi sonhada por ele, não por Cervantes E não é mais que a crónica de sonhos Tal é … Continuar a ler

"Por trás do nome há o que não se grita"

Uma bússola .                                   Para Esther Zemborajn de Torres . Todas as coisas são palavras do idioma Em que Alguém ou em que Algo, noite e dia, Escreve aquela infinita algaravia Que é a história do mundo. Passam Roma E Cartago, eu, tu, ele, no seu tropel, A Vida que não sei, esta agonia De … Continuar a ler

O homem é excessivo

O homem é excessivo. As gerações Inúmeras de aves e de insectos, Do jaguar constelado e da serpente, De galhos que se tecem e entretecem, Do café, da areia e das folhas Oprimem as manhãs e nos prenunciam Seu minucioso labirinto inútil. .                Jorge Luis Borges (1899-1986) foi um escritor, poeta e ensaísta argentino … Continuar a ler

de memória e medo…

Os dias e as noites estão entrelaçados de memória e de medo, de medo, que é um modo da esperança, de memória, nome que damos às fendas do tenaz esquecimento. Jorge Luis Borges (1899-1986)

Se nesse dia houvesse esquecimento

O despertar . Entra a luz e ascendo inertemente Dos sonhos para o sonho repartido E as coisas recuperam o seu devido E aguardado lugar e no presente Concentra-se, opressivo e vasto, o vago Ontem: as seculares migrações Das aves e dos homens, as legiões Que o ferro destruiu, Roma e Cartago. Também regressa a … Continuar a ler

Não esperes outro Céu nem outro Inferno…

O instante . Onde estarão os séculos, onde o sonho Das espadas que os tártaros sonharam, Onde os sólidos muros que aplanaram, Onde a árvore de Adão e o outro Lenho? O presente esta só. Mas a memória Constrói o tempo. Sucessão e engano É a rotina do relógio. O ano Nunca é menos vão do … Continuar a ler

O sono

O sono . . Se o sono fosse (como dizem) uma Pura trégua ou repouso para a mente, Porque é que, se te acordam bruscamente, Sentes que te roubaram a fortuna? Porque é tão triste madrugar? A hora Despoja-nos de um dom inconcebível, Tão intimo que só é traduzível Numa modorra que a vigília doira … Continuar a ler

com excepção do homem, todas as criaturas o são

“Ser imortal é insignificante; com excepção do homem,  todas as criaturas o são, pois ignoram a morte; o divino, o terrível, o incompreensível é saber-se imortal.” . Jorge Luis Borges (1899 –1986) In.: “O Aleph”

Queria sonhar um homem

Jorge Luis Borges (1899-1986) apresenta a personagem do seu conto “Ruínas Circulares” como um viajante que desembarca num templo circular em ruínas decidido a gerar um homem através de sonhos. Nas palavras do autor: “o propósito que o guiava não era impossível ainda que sobrenatural. Queria sonhar um homem: queria sonhá-lo com integridade minuciosa e … Continuar a ler

Somos o tempo

São os rios . Somos o tempo. Somas a famosa parábola de Heraclito, O Obscuro. Somos a água, não diamante duro, a que se perde, não a que repousa. Somos o rio e somos esse grego a olhar-se no rio. A sua imagem muda na água do espelho entre as margens, no vidro que varia, … Continuar a ler

Heraclito e Gautama.

FAZENDA EL RETIRO . . O tempo joga um xadrez sem peças No pátio. O estalar de um ramo Rasga a noite. Lá fora, a planície Vai espalhando léguas de sono e de pó. Ambos sombras, copiamos o que ditam Outras sombras: Heraclito e Gautama.   . . Jorge Luis Borges (1899 –1986) Obras Completas III  A … Continuar a ler

Nunca ninguém o viu…

A trama . No segundo pátio a torneira periódica goteja, fatal como a morte de César. Ambas são peças da trama que abarca o circulo sem principio nem fim, a âncora do fenício, o primeiro lobo e o primeiro cordeiro, a data da minha morte e o teorema perdido de Fermat. Essa trama de ferro … Continuar a ler