Friedrich Schiller e Fernando Pessoa

«(…) Ficavam alguns anos para trás os dias em que Pessoa tentara traduzir um pequeno poema de Schiller, quando, precisamente no ano de 1913, o aspirante a tradutor de alemão elabora uma lista de 26 títulos, encabeçada “Anthologia”, em que o único autor alemão elencado é Schiller, com o poema “O Sino”. Tratar-se-á de um dos muitos projectos editoriais … Continuar a ler

Carnaval – Álvaro de Campos

Carnaval – Álvaro de Campos Conteúdo Álvaro de Campos CARNAVAL A vida é uma tremenda bebedeira. Eu nunca tiro dela outra impressão. Passo nas ruas, tenho a sensação De um carnaval cheio de cor e poeira… A cada hora tenho a dolorosa Sensação, agradável todavia, De ir aos encontrões atrás da alegria Duma plebe farsante … Continuar a ler

Ultimatum

                                                              click pic   «Ultimatum» de Álvaro de Campos (1917) Mandado de despejo aos mandarins da Europa! Fora.Fora tu, Anatole-France, Epicuro de farmacopeia-homeopática, ténia-Jaurès do Ancien-Régime, salada de Renan-Flaubert em louça do século dezassete,falsificada! Fora tu, Maurice-Barrès, feminista da Acção, Chateaubriand de paredes nuas, alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos … Continuar a ler

"Colhe de que recordes"

Colhe de que recordes

ORTOGRAFIA – O argumento da uniformização…

“O argumento da uniformização é uma coisa, a base em que uniformizar é outra. Sobre as vantagens da uniformização ortográfica estamos, creio, todos de acordo; não o estamos sobre a ortografia que haja de ser a uniforme. Também não o estaremos, suponho, sobre a imposição da ortografia. Que, tomada certa ortografia por oficial, d’ela use … Continuar a ler

"Trabalhemos ao menos – nós, os novos – por perturbar as almas, por desorientar os espíritos"

“Somos incapazes de revolta e de agitação. Quando fizemos uma “revolução” foi para implantar uma coisa igual ao que já estava. Manchámos essa revolução com a brandura com que tratámos os vencidos. E não nos resultou uma guerra civil, que nos despertasse; não nos resultou uma anarquia, uma perturbação das consciências. Ficámos miserandamente os mesmos … Continuar a ler

A civilização a que chamamos europeia

“Quatro são, disse, as bases em que assenta a civilização europeia, quatro os princípios que constituem a sua individualidade ou essência. São eles a cultura grega, a Ordem romana, a Moral Cristã e a Política Inglesa. Não temos que ver se esses princípios nos são agradáveis, a cada um de nós pessoalmente, ou se nos … Continuar a ler

"Sentimento e vontade é que exigem tempo e espaço"

“O pensamento em si está fora do tempo e do espaço; é anterior a eles. Sentimento e vontade é que exigem tempo e espaço. A percepção é que está no tempo e no espaço; não o íntimo pensamento basilar na percepção. À percepção, portanto, é que estão ligados (limitados todos) sentimento e vontade.” Fernando Pessoa … Continuar a ler

Men of Science by Alexander Search / aliás Fernando Pessoa

  Alexander Search Men of Science To toil through time and hate and to consume Far more than life in Error’s hard defeat, Seeking e’er for the true, for the complete, Careless of faith and misery and doom – / Is there a nobler task, while life doth fleet, Than this, to strive to make … Continuar a ler

homenagem em jeito de tríptico

 . homenagem em jeito de tríptico Fernando Pessoa

O ponto em que duvidamos de nós e da nossa dúvida

Livro do Desassosego composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa  (Fragmentos) 149 .“Não é fácil distinguir o homem dos animais, não há critério seguro para distinguir o homem dos animais. As vidas humanas decorrem da mesma íntima inconsciência que as vidas dos animais. As mesmas leis profundas, que regem de fora os … Continuar a ler

"Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho."

Bernardo Soares In.: Livro do Desassossego Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje – tantas vezes e em … Continuar a ler

Poema do Menino Jesus

O guardador de rebanhos – VIII Fernando Pessoa (1888-1935) (Alberto Caeiro) Poema do Menino Jesus Num meio dia de fim de primavera Tive um sonho como uma fotografia Vi Jesus Cristo descer à terra, Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores … Continuar a ler

Contas-entes ligados por um fio-memória

(…) Outra vez te revejo, Cidade da minha infância pavorosamente perdida… Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui… Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei, E aqui tornei a voltar, e a voltar E aqui de novo tornei a voltar? Ou somos todos os Eu que estive aqui ou … Continuar a ler

Hoje há 72 anos, Fernando Pessoa…

[…] Se eu morrer muito novo, oiçam isto: Nunca fui senão uma criança que brincava. Fui gentio como o sol e a água, De uma religião universal que só os homens não têm. Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma, Nem procurei achar nada, Nem achei que houvesse mais explicação Que a palavra explicação não … Continuar a ler

Tudo menos saber o que é Mistério!

Álvaro de Campos Demogorgon . Na rua cheia de sol vago há casas paradas e gente que anda. Uma tristeza cheia de pavor esfria-me. Pressinto um acontecimento do lado de lá das frontarias e dos movimentos. . Não, não, isso não! Tudo menos saber o que é Mistério! Superfície do Universo, ó Pálpebras Descidas, Não … Continuar a ler

Creio que não saiu mau…

Fernando Pessoa (por ele mesmo): “Quando foi da publicação de Orpheu, foi preciso, à última hora, arranjar qualquer coisa para completar o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro que eu fizesse um poema “antigo” do Álvaro de Campos – um poema de como o Álvaro de Campos seria antes de ter conhecido Caeiro e … Continuar a ler

Não tardo, que eu nunca tardo…

Álvaro de Campos Lisbon Revisited (1923) NÃO: Não quero nada. Já disse que não quero nada.  Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer.  Não me tragam estéticas! Não me falem em moral!  Tirem-me daqui a metafísica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas Das ciências (das ciências, Deus meu, das … Continuar a ler

O que é o presente?

Alberto Caeiro  . Vive . Vive, dizes, no presente, Vive só no presente. Mas eu não quero o presente, quero a realidade; Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede. O que é o presente? É uma cousa relativa ao passado e ao futuro. É uma cousa que existe em virtude de … Continuar a ler

Louvado seja Deus que não sou bom

Alberto Caeiro . O guardador de Rebanhos . XXXII – Ontem à Tarde . Ontem à tarde um homem das cidades Falava à porta da estalagem. Falava comigo também. Falava da justiça e da luta para haver justiça E dos operários que sofrem, E do trabalho constante, e dos que têm fome, E dos ricos, … Continuar a ler