“…Caetano da Maia era um português antigo e fiel que se benzia ao nome de Robespierre…”

“Esta existência nem sempre assim correra com a tranquilidade larga e clara de um belo rio de Verão. O antepassado, cujos olhos se enchiam agora de uma luz de ternura diante das suas rosas, e que ao canto do lume relia com gosto o seu Guizot, fora, na opinião de seu pai, algum tempo, o … Continuar a ler

"sentimentalismo vadio do domingo"

O sol desaparecera; na rua estreita havia uma sombra igual, de tarde sem vento; pelas casas, de uma edificação velha, escuras estavam abertas as varandas onde em vasos vermelhos se mirrava alguma velha planta miserável, manjericão ou cravo; ouvia-se, no teclado melancólico de um piano, a Oração de uma virgem, tocada por alguma menina, no … Continuar a ler

"A relíquia"

«(…)  Suspirei, amoroso e moído; e abria os lençóis bocejando – quando distintamente, através do tabique fino, senti um ruído de água despejada numa banheira. Escutei, alvoroçado; e logo nesse silêncio negro e magoado que sempre envolve Jerusalém, me chegou, perceptível, o som leve de uma esponja arremessada na água. Corri, colei a face contra … Continuar a ler

A chegada

“Acordei envolto num largo e doce silêncio. Era uma Estação muito sossegada, muito varrida, com rosinhas brancas trepando pelas paredes – e outras rosas em moutas, num jardim, onde um tanquezinho abafado de limos dormia sob duas mimosas em flor que recendiam. Um moço pálido, de paletó cor de mel, vergando a bengalinha contra o … Continuar a ler

Eça

Um excertos de “A Cidade e as Serras“ José Maria Eça de Queiros (1845 – 1900) … Por uma conclusão bem natural, a ideia de Civilização, para Jacinto, não se separava da imagem de Cidade, de uma enorme Cidade, com todos os seus vastos órgãos funcionando poderosamente. Nem este meu  supercivilizado amigo compreendia que longe de armazéns … Continuar a ler

em Português…

……………………………………………………………………………….. O Mirante recaíra em silêncio – Gonçalo temia que o traíssem as pancadas do seu coração… Santo Deus! De novo o murmúrio recomeçara, mais apressado, mais turbado. Alguém suplicava,  balbuciava: – “Não, não, que loucura!” – Alguém urgia, impaciente e ardente: – “Sim, meu amor!sim, meu amor!” E a ambos os reconheceu – tão … Continuar a ler