Poema do Menino Jesus

O guardador de rebanhos – VIII Fernando Pessoa (1888-1935) (Alberto Caeiro) Poema do Menino Jesus Num meio dia de fim de primavera Tive um sonho como uma fotografia Vi Jesus Cristo descer à terra, Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores … Continuar a ler

Hoje há 72 anos, Fernando Pessoa…

[…] Se eu morrer muito novo, oiçam isto: Nunca fui senão uma criança que brincava. Fui gentio como o sol e a água, De uma religião universal que só os homens não têm. Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma, Nem procurei achar nada, Nem achei que houvesse mais explicação Que a palavra explicação não … Continuar a ler

O que é o presente?

Alberto Caeiro  . Vive . Vive, dizes, no presente, Vive só no presente. Mas eu não quero o presente, quero a realidade; Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede. O que é o presente? É uma cousa relativa ao passado e ao futuro. É uma cousa que existe em virtude de … Continuar a ler

Louvado seja Deus que não sou bom

Alberto Caeiro . O guardador de Rebanhos . XXXII – Ontem à Tarde . Ontem à tarde um homem das cidades Falava à porta da estalagem. Falava comigo também. Falava da justiça e da luta para haver justiça E dos operários que sofrem, E do trabalho constante, e dos que têm fome, E dos ricos, … Continuar a ler

o tipo perfeito do erro da filosofia

poemas de Alberto Caeiro .          A Guerra .          A guerra que aflige com os seus esquadrões o Mundo, É o tipo perfeito do erro da filosofia.            A guerra, como todo humano, quer alterar. Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito E alterar depressa.           Mas a guerra inflige … Continuar a ler

Sejamos simples e calmos…

Alberto Caeiro “O Guardador de Rebanhos” . . Pensar em Deus é desobedecer a Deus, Porque Deus quis que o não conhecessemos, Por isso se nos não mostrou… . Sejamos simples e calmos, Como os regatos e as árvores, E Deus amar-nos-á fazendo de nós Belos como as árvores e os regatos, E dar-nos-á verdor … Continuar a ler

Olá, Guardador de Rebanhos

Faz hoje 92 anos que Fernando Pessoa cria o heterónimo Alberto Caeiro – 8 de Março de 1914 – e escreve Guardador de Rebanhos. Alberto Caeiro (1889-1915) . Olá, Guardador de Rebanhos . “Olá, guardador de rebanhos, Aí à beira da estrada, Que te diz o vento que passa?” . “Que é vento, e que … Continuar a ler

Como uma cave…

Não Basta Alberto Caeiro (1885-1915) . . Não basta abrir a janela Para ver os campos e o rio. Não é bastante não ser cego Para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Com filosofia não há árvores: há idéias apenas. Há só cada um de nós, como uma … Continuar a ler

isto é o que hoje é

Alberto Caeiro   . Primeiro Prenúncio . Primeiro prenúncio de trovoada de depois de amanhã. As primeiras nuvens, brancas, pairam baixas no céu mortiço, Da trovoada de depois de amanhã? Tenho a certeza, mas a certeza é mentira. Ter certeza é não estar vendo. Depois de amanhã não há. O que há é isto: Um céu … Continuar a ler

sem menos utilidade

A Neve                                                                                 . Alberto Caeiro . A neve pôs uma toalha calada sobre tudo. Não se sente senão o que se passa dentro de casa. Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar. Sinto um gozo de animal e vagamente penso, E adormeço sem menos utilidade que todas as acções do mundo. … Continuar a ler

"Vê-las sem tempo, nem espaço"

Alberto Caeiro .   Vive .   Vive, dizes, no presente, Vive só no presente. . Mas eu não quero o presente, quero a realidade; Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede. . O que é o presente? É uma cousa relativa ao passado e ao futuro. É uma cousa que … Continuar a ler

linguagem

Alberto Caeiro . Eu não tenho filosofia: tenho sentidos… Porque só sou essa coisa séria, um intérprete da Natureza, Porque há homens que não percebem a sua linguagem, Por ela não ser linguagem nenhuma. . . Fernando Pessoa (1888-1935)

Leve

pessoa XI /”colagem digital”        MR050828 Alberto Caeiro . Leve Leve, leve, muito leve, Um vento muito leve passa, E vai-se, sempre muito leve. E eu não sei o que penso Nem procuro sabê-lo. . Fernando Pessoa (1888-1935)

uma filosofia toda

Alberto Caeiro As Bolas de Sabão . As bolas de sabão que esta criança Se entretém a largar de uma palhinha São translucidamente uma filosofia toda. Claras, inúteis e passageiras como a Natureza, Amigas dos olhos como as cousas, São aquilo que são Com uma precisão redondinha e aérea, E ninguém, nem mesmo a criança … Continuar a ler

Com a sua pequenez…

Alberto Caeiro . Acordo de Noite  . Acordo de noite subitamente, E o meu relógio ocupa a noite toda. Não sinto a Natureza lá fora. O meu quarto é uma cousa escura com paredes vagamente brancas. Lá fora há um sossego como se nada existisse. Só o relógio prossegue o seu ruído. E esta pequena … Continuar a ler

Estas Verdades

Estas Verdades Alberto Caeiro . Estas verdades não são perfeitas porque são ditas. E antes de ditas pensadas. Mas no fundo o que está certo é elas negarem-se a si próprias. Na negação oposta de afirmarem qualquer cousa. A única afirmação é ser. E ser o oposto é o que não queria de mim.   Fernando … Continuar a ler

"O que for, quando for, é que será o que é"

Alberto Caeiro Quando Vier a Primavera  . . Quando vier a Primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. A realidade não precisa de mim. . Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma … Continuar a ler

"não ser susceptível de interpretação"

Alberto Caeiro . Tu, Místico . Tu, místico, vês uma significação em todas as cousas.   Para ti tudo tem um sentido velado. Há uma cousa oculta em cada cousa que vês. O que vês, vê-lo sempre para veres outra cousa. Para mim, graças a ter olhos só para ver, Eu vejo ausência de significação em … Continuar a ler

o pregador de verdades dele…

Alberto Caeiro . Ontem o Pregador  . Ontem o pregador de verdades dele Falou outra vez comigo. Falou do sofrimento das classes que trabalham (Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre). Falou da injustiça de uns terem dinheiro, E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer. … Continuar a ler

O resto é uma espécie de sono

Assim como Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer  pensamento, Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade, Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada. Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada. Assim tudo o que existe, simplesmente existe. O resto é uma espécie … Continuar a ler