vivida até melhor por não ter sentido

“Até aqui tratava-se de saber se a vida devia ter um sentido para ser vivida. A partir daqui, pelo contrário, impõe-se-nos que ela será vivida até melhor por não ter sentido (…) viver é fazer viver o absurdo.” – Albert Camus (1913-1960) In.: “O mito de Sísifo” Anúncios

Para mim era sempre o mesmo dia, que caía na minha cela…

(…) E assim, com as horas de sono, as recordações, a leitura do meu jornal e a alternância da luz e da sombra, o tempo foi passando. Tinha lido que na prisão se perde a noção do tempo. Mas para mim, isto não fazia sentido. Não compreendera ainda até que ponto os dias podiam ser … Continuar a ler

revoltado

  “Enquanto houver injustiça e miséria, todo homem deve ser um revoltado” Albert Camus (1913-1960)

os heróis de Dostoievski

“Todos os heróis de Dostoievski se interrogam sobre o sentido da vida. É nisso que eles são modernos: não temem o ridículo. O que distingue a sensibilidade moderna da sensibilidade clássica é que esta se nutre de problemas morais e aquela de problemas metafísicos. Nos romances de Dostoievski a questão é apresentada com uma tal … Continuar a ler

involuntariamente culpados…

(…) “A princípio inocentes sem que o soubéssemos, éramos agora involuntariamente culpados: o mistério aumentava na mesma medida em que crescia nosso conhecimento. Por isso nos ocupávamos com a moral, ó derrisão! Enfermo, sonhava com a virtude! No tempo da inocência, ignorava que a moral existisse. Hoje o sabia, mas não era capaz de viver … Continuar a ler

uma aventura singular…

“Camus era uma aventura singular de nossa cultura, um movimento cujas fases e cujo termo final tratávamos de compreender. Representava neste século e contra a história, o herdeiro actual dessa longa fila de moralistas cujas obras constituem talvez o que há de mais original nas letras francesas. Seu humanismo obstinado, estreito e puro, austero e … Continuar a ler

"o cheiro de minha África"…

“Descemos em Dacar à noite, grandes negros, admiráveis em sua dignidade e elegância, em suas longas túnicas brancas, as negras com roupas antigas, de cores vivas, o cheiro de óleo de amendoim e de excremento, a poeira e o calor. São apenas algumas horas, mas reencontro o cheiro de minha África, cheiro de miséria e … Continuar a ler

Jean-Paul Sartre, 101 anos

  21 de Junho de 1905. O filósofo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980)  nasce em Paris. Faz hoje precisamente 101 anos! . – Jean-Paul Sartre foi o mais famoso, odiado e celebrado intelectual francês do século XX. Homem de sete instrumentos, ao longo dos seus 74 anos de vida, nada que se tratasse das letras lhe … Continuar a ler

Uma divindade cruel e caprichosa…

Camus vai recusar a ideia de Deus, ele diz não aceitar a noção de um Deus cuja existência não teria nenhum assento na realidade sensível. Ele não faz nenhuma concessão a esse Deus que não intervem no problema do mal. . Do problema do mal nasce o silêncio de Deus, e esse silêncio se moldará … Continuar a ler

e tenho pelo menos de crer no meu protesto…

“…o absurdo tal como a dúvida metódica pode, mudando de atitude, orientar uma nova busca. O raciocínio desenvolve-se então da mesma forma. Eu grito que não creio em coisa alguma e que tudo é absurdo, mas não posso duvidar do meu grito e tenho pelo menos de crer no meu protesto. (…) . A revolta … Continuar a ler

fidelidade superior…

“Deixo Sísifo no sopé da montanha! Encontramos sempre o nosso fardo. Mas Sísifo ensina a fidelidade superior que nega os deuses e levanta os rochedos. Ele também julga que tudo está bem. Esse universo enfim sem dono não lhe parece estéril nem fútil. Cada grão dessa pedra cada estilhaço mineral dessa montanha cheia de noite, … Continuar a ler

A felicidade camusiana

A felicidade camusiana é um estado onde o sujeito que ama está unido ao objecto amado, o ser vivo com a vida e o existente com a existência, ou seja, em Camus a felicidade traduz um acordo; um acordo do ser com a existência que leva (…), o desejo de felicidade confunde-se de certa forma … Continuar a ler

estranho

“O fosso entre a certeza que tenho da minha existência e o conteúdo que tento dar a essa certeza, nunca estará cheio. Serei para sempre estranho a mim mesmo.” . Albert Camus (1913-1960) In.: “O mito de Sísifo”  

justiça e liberdade

  * “Se o homem fracassa em conciliar a justiça e a liberdade, fracassa em tudo,” * Albert Camus (1913-1960)  

Essa nostalgia de unidade, esse apetite de absoluto…

“(…) se o homem reconhecesse que o universo também pode amar e sofrer, reconciliar-se-ia com ele. Se o pensamento descobrisse, em espelhos cambiantes, fenómenos, relações eternas que pudessem resumi-los e resumir-se a si próprias num princípio único, poder-se-ia falar de uma felicidade do espírito ao pé da qual o mito dos bem-aventurados não mais seria … Continuar a ler

heroísmo

“…eu (…) considerava que o homem devia colocar a justiça ao serviço do combate contra a eterna injustiça e devia criar a felicidade para protestar contra o universo do sofrimento (…) a dificuldade da nossa acção consistia em fazer a guerra sem todavia esquecer a felicidade (…) o heroísmo comparado com a felicidade não vale … Continuar a ler

duas ou três imagens simples…

“pelo menos sei, de ciência certa, que a obra de um homem outra coisa não é senão este longo caminhar para tornar a achar pelos desvios da arte, as duas ou três imagens simples e grandes para as quais o coração pela primeira vez se abriu.” . Albert Camus (1913-1960) In.: “O Avesso e o … Continuar a ler

o actor e o seu cenário…

“Esse divórcio entre o homem e sua vida, entre o actor e o seu cenário, é que é verdadeiramente o sentimento do absurdo. Como todos os homens sãos já pensaram no seu próprio suicídio, pode reconhecer-se, sem mais explicações, que há um elo directo entre tal sentimento e a aspiração ao nada” . Albert Camus … Continuar a ler

Albert Camus, personalidade do mês (Junho 2006)

“Há nos homens mais coisas para admirar que coisas para desesperar.” . Albert Camus (1913-1960) In.: “O Estrangeiro” (1942) . . . . . . . Ao longo deste mês de Junho de 2006 recordaremos o pensamento do escritor filósofo Albert Camus (1913-1960)