Criticar os resultados da democracia…

(em português-br)
“Quando as atividades do governo moderno produzem resultados globais que poucos desejaram ou previram, encara-se isso em geral como uma caracteristica inevitável da democracia. É dificil afirmar, no entanto, que essa evolução dos acontecimentos usualmente corresponda aos desejos de qualquer grupo identificável de pessoas. Aparentemente, o processo específico por nós escolhido para averiguar o que chamamos de vontade do povo produz resultados que pouco têm a ver com algo merecedor do nome de ‘vontade comum’ de qualquer segmento substancial da população. De fato, acostumamo-nos tanto a considerar democrático unicamente o conjunto particular de instituições hoje existente em todas as democracias ocidentais, e em que a maioria de um organismo representativo estabelece as leis e administra o governo, que essa forma de democracia nos parece a única possível. Em conseqüência não estamos dispostos a encarar o fato de que esse sistema não só produziu muitos resultados que ninguém aprecia, mas mostrou-se também impraticável em todos os países em que essas instituições democráticas não foram limitadas por sólidas tradições acerca das funções próprias das assembléias representativas. Por acreditarmos, justificadamente, no ideaí  básico de democracia, sentimo-nos quase sempre no dever de defender  as instituições particulares que há muito foram aceitas como sua corporificação, e hesitamos em criticá-las porque isso poderia enfraquecer o  respeito por um ideaí que desejamos preservar.
Já não é mais possivel, entretanto, fazer vista grossa ao fato de que nos últimos tempos,.apesar de contínuos louvores superficiais a esse sistema e até, de apelos por sua amp!i!açâo, surgiu entre pessoas ponderadas uma uma ansiedade e grave apreensão com respeito aos resultados que ele muitas vezes produz. Isto não assume em toda parte a forma do realismo cínico caracteristico de alguns cientistas políticos contemporâneos, que vêem a democracia como apenas uma modalidade a mais de uma luta inevitável em que se decide ‘quem leva o quê, quando e como”. Contudo, é sem dúvida inegável que reina um sentimento de profunda desilusão e dúvida com relação ao futuro da democracia, gerado pela crença de que esses desdobramentos que quase ninguém aprova são inevitáveis.”

Friedrich Hayek (1899-1992)

In:  Direito Legislação e Liberdade (A Ordem Política de um Povo Livre)

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