Novas “bolsas” de valores…

(em português-br)

«(…) é cada vez menos legitimo que as retribuições financeiras e de prestigio das atividades humanas socialmente reconhecidas sejam reguladas apenas por um mercado fundado no lucro. Outros sistemas de valor deveriam ser levados em conta (a “rentabilidade” social, estética, os valores de desejo etc.). Somente o Estado, até o momento, esta em posição de arbitrar em campos de valor não decorrente do lucro capitalista (exemplo: a apreciação do campo do património). Parece necessário insistir sobre o fato de que novos substitutos sociais, tais como fundações reconhecidas como sendo de utilidade social, deveriam poder flexibilizar e ampliar o financiamento do Terceiro Setor — nem privado, nem publico — que será constantemente levado a crescer a medida que o trabalho humano der lugar ao trabalho maquínico. Para além de uma renda mínima garantida para todos — reconhecida como direito e nao a titulo de contrato dito de reinserção —, a questão se perfila de serem colocados a disposição meios de levar avante empreendimentos individuais e coletivos, indo no sentido de uma ecologia da ressingularizacão. A procura de um Território ou de uma pátria existencial não passa necessariamente pela de uma terra natal ou de uma filiação de origem longínqua. Os movimentos nacionalitários (de tipo basco, Irlanda), muito frequentemente se dobram sobre si mesmos, por causa de antagonismos exteriores, deixando de lado as outras revoluções moleculares relativas a liberação da mulher, a ecologia ambiental etc. Toda especie de “nacionalidades” desterritorializadas são concebíveis, tais como a musica, a poesia… O que condena o sistema de valorização capitalístico e seu carater de equivalente geral, que aplaina todos os outros modos de valorização, os quais ficam assim alienados a sua hegemonia. A isso conviria senão opor ao menos sobrepor instrumentos de valorização fundados nas produções existenciais que nao podem ser determinadas em função unicamente de um tempo de trabalho abstrato, nem de um lucro capitalista esperado. Novas “bolsas” de valores, novas deliberações coletivas dando chance aos empreendimentos os mais individuais, os mais singulares, os mais dissensuais, sao convocados a emergir – se apoiando, particularmente, em meios de concertamento telemáticos e informáticos. A noção de interesse coletivo deveria ser ampliada a empreendimentos que a curto prazo nao trazem “proveito” a ninguém, mas a longo prazo são portadores de enriquecimento processual para o conjunto da humanidade. (…)»

Félix Guattari (1930-1992)

In: As três ecologias

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