“A libido como energia sexual é directamente investimento de massas, de grandes conjuntos e de campos orgânicos e sociais”

«O cinismo disse, ou pretendeu dizer, tudo sobre o amor: ou seja, que se trata de uma copulação de máquinas orgânicas e sociais em grande escala (no fundo do amor, os órgãos, as determinações económicas, o dinheiro). Mas o que é típico do cinismo é pretender fazer um escândalo de algo que não é escandaloso, e de se fazer passar por audacioso sem qualquer audácia. Antes o delírio do bom senso que a sua estupidez. Porque o que salta logo à vista é que o objecto do desejo não são pessoas nem coisas, mas meios inteiros que ele percorre, vibrações e fluxos de qualquer tipo a que ele se une, introduzindo neles cortes, capturas, um desejo sempre nómada e migrante, cuja principal característica é o “gigantismo”: foi o que exemplarmente mostrou Charles Fourier. Em suma, tanto os meios sociais como os biológicos, são objecto de investimentos do inconsciente, necessariamente desejantes ou libidinais, que se opõem aos investimentos pré-conscientes de necessidade e interesse. A libido como energia sexual é directamente investimento de massas, de grandes conjuntos e de campos orgânicos e sociais

Gilles Deleuze (1925-1995) e Félix Guattari (1930-1992)

In: O anti-Édipo / Capitalismo e Esquizofrenia

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