As velhas estruturas do sistema representativo

(…) essa vontade [vontade popular] não se impôs à representação como um todo, qual seria de  desejar e como ocorreria com a vontade da nação, pelo seu órgão – o representante, nos melhores tempos do liberalismo. O imperativo do mandato entrou nos seus efeitos em paradoxal contradição com o sufrágio universal. A vontade una e soberana do povo, que deveria resultar de um sistema representativo de índole e inspiração popular, se decompôs nos nossos dias na vontade antagónica e disputante de partidos e grupos de pressão. Na sociedade de massas abala-se de maneira violenta a acomodação dos interesses económicos, políticos e sociais, cada vez menos os interesses  globais do povo e cada vez mais interesses parcelares de grupos e classes conflituantes. Por isso mesmo indicativos de um antagonismo que se vai tornando irremediável, sujeitos a um equilíbrio precário e que jamais poderá ser adequadamente atendido pelas velhas estruturas do sistema representativo.”

Paulo Bonavides (n.1923)

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