A língua, esse objecto em que se inscreve o poder

“(…) o poder está presente nos mais finos mecanismos do intercâmbio social: não somente no Estado, nas classes, nos grupos, mas ainda nas modas, nas opiniões correntes, nos espectáculos, nos jogos, nos desportos, nas informações, nas relações familiares e privadas, e até mesmo nos impulsos libertadores que tentam contestá-lo (…)

Plural no espaço social, o poder é, simetricamente, perpétuo no tempo histórico: expulso, extenuado aqui, ele reaparece ali; nunca perece; façam a revolução para destruí-lo, ele vai imediatamente reviver, ´regerminar` no novo estado de coisas. (…)

A razão dessa resistência e dessa ubiquidade é que o poder é o parasita de um organismo ´trans-social` ligado à história inteira do homem, e não somente à sua história política. Esse objecto em que se inscreve o poder, desde toda a eternidade humana, é a linguagem – ou, para ser mais preciso, sua expressão obrigatória: a língua.”

Roland Barthes (1915-1980)

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