Como se o antes e o depois deixassem de existir

[Mnemosyne a Hesíodo:]

“Não se perguntou por que um átimo, semelhante a tantos do passado, deve fazê-lo de repente feliz, feliz como um deus? Tu observavas a oliveira, a oliveira no trilho que percorreste todos os dias durante anos, e chega o dia em que o tédio te deixa e tu acaricias o velho tronco com o olhar, como se fosse um amigo reencontrado e te dissesse exactamente a única palavra que o teu coração esperava. Outras vezes é o olhar de um passante qualquer. Outras vezes a chuva que insiste dias seguidos. Ou a voz estrepitosa de uma ave. Ou uma nuvem que te parece já teres visto. Por um instante o tempo se detém, e a coisa banal, tu sente-la no coração como se o antes e o depois deixassem de existir. Não perguntas porquê? “

Cesare Pavese (1908-1950)

In.. Diálogos com Leucó.

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