Personalidade do mês de Março de 2008: Maurice Merleau-Ponty

“Estou lançado numa natureza, e a natureza não aparece somente fora de mim, nos objectos sem história, ela é visível no centro da subjectividade. As decisões teóricas e práticas da vida pessoal podem apreender, à distância, o meu passado e o meu porvir, dar ao meu passado, com todos os seus acasos, um sentido definido, … Continuar a ler

Memória e História

“A memória é a vida, sempre carregada por grupos vivos e, nesse sentido, ela está em permanente evolução, aberta à dialéctica da lembrança e do esquecimento, inconsciente das suas deformações sucessivas, vulnerável a todos os usos e manipulações, susceptível de longas latências e de repentinas revitalizações. A história é a reconstrução sempre problemática e incompleta … Continuar a ler

Frases – Moléculas egoístas

“Somos máquinas de sobrevivência – veículos robotizados cegamente programados de modo a  preservarmos as moléculas egoístas a que chamamos genes. Essa é a verdade que me enche de espanto.” Richard Dawkins (n. 1941) In.: O Gene Egoísta

Movimento eterno

“Anaximandro de Mileto [610- 546 a.C] atribui ao infinito o ´eterno movimento, pelo qual o infinito gera o cosmos, o abarca e governa`” Aristóteles (384 – 322 a.C.) In.: Física, III   “Além disso, ele diz, que o movimento, no qual nascem os céus, é eterno” (Hipólito, Refutações, 1, 6,2). Aristóteles (384 – 322 a.C.) … Continuar a ler

A ideia de infinito

“O facto de, na matemática, existir uma noção aperfeiçoada de infinito não implica, necessariamente, que isso corresponda a algo de existente. Considerar que assim é seria transpor para as relações entre a física e matemática o argumento de Descartes que apresentava como prova da existência de Deus o facto de existir em nós a ideia … Continuar a ler

Motivo celta

.                                                                   motivo celta (ligeiramente deformado)

Linguagem (V)

“Na realidade não são palavras o que pronunciamos ou escutamos, mas verdades ou mentiras, coisas boas ou más, importantes ou triviais, agradáveis ou desagradáveis, etc. A palavra está sempre carregada de um sentido ideológico ou vivencial.” Mikhail Bakhtin (1895-1975)

A descoberta do gnómon

A vida de Anaximadro é tão obscura, como o fragmento que dele sobreviveu. (…) Apesar da raridade das informações biográficas, são-lhe atribuídos notáveis feitos científicos. Foi, entre outras coisas, um notável criador de instrumentos de medida do tempo, sendo-lhe atribuída a descoberta do gnómon, a construção de indicadores de horas para assinalar os solstícios e … Continuar a ler

Preservar o ir­redutível

“(…) tudo é funcional e absorvido, sendo que cada indivíduo se torna parte da engrena­gem global, mas, em contrapartida, acredi­to, ao contrário do que se diz, na existência de radicalidade, ou seja, de uma exterio­ridade ao sistema. Algo que está fora do jogo. Sei que é difícil mostrar isso, dada a voracidade dos sistemas, mas, … Continuar a ler

Como se o antes e o depois deixassem de existir

[Mnemosyne a Hesíodo:] “Não se perguntou por que um átimo, semelhante a tantos do passado, deve fazê-lo de repente feliz, feliz como um deus? Tu observavas a oliveira, a oliveira no trilho que percorreste todos os dias durante anos, e chega o dia em que o tédio te deixa e tu acaricias o velho tronco … Continuar a ler

Segundo a ordem do tempo

“ex hõn dè he génesís estí tois ousi kai ten phtoràn eis tauta gínesthai katà tó khreón; didónai gar autà díken kaì tísin allélois tes adikías katà tèn khrónou táxin.” “As coisas têm a sua origem e destruição regidas pelo necessário; dão justiça e pena umas às outras por sua injustiça; isto se dá segundo … Continuar a ler

O azul do céu

“os laços substantivos foram afrouxados e (…) não há mais do que os laços da linguagem que nos ligam ao realismo imediato. A imensa abóbada do céu parece-nos azulada, mas todo esse azul já não é para nós uma verdadeira propriedade substancial. O azul do céu tem tão pouca existência quanto a abóbada do céu.” … Continuar a ler

Escola de Atenas – Anaximandro

Uma ordem de justiça imanente

Anaximandro [610-546 a.C], O Pensamento Filosófico e a Descoberta do Cosmos, apud JAEGER, W “… as coisas da natureza, com todas as suas forças e oposições, também se encontram submetidas a uma ordem de justiça imanente e que a sua ascensão e a sua decadência se realizam de acordo com essa ordem.” Werner Jaeger (1888-1961)

Interrogação ilimitada

“a emergência da interrogação ilimitada significa uma ruptura com o universo mítico, uma procura aberta da significação – que o mito tinha por função fechar satisfazendo-a de uma vez por todas.”  Cornelius Castoriadis (Istambul, 1922 – París, 1997)

Uma essência de natureza diferente

“De entre os que afirmam que há um só princípio, móvel e ilimitado, Anaximandro [610- 546 a.C], filho de Praxíades, de Mileto, sucessor e discípulo de Tales [625 – 556 a.C.], disse que o apeiron (ilimitado) era o princípio e o elemento das coisas existentes. Foi o primeiro a introduzir o termo princípio. Diz que … Continuar a ler

Linguagem (IV)

“Durante os primeiros quatro milhares de milhões de anos de vida na Terra, o método preferencial de transferência de informação foi genético. A linguagem, no entanto, deu origem à evolução cultural. A linguagem (tal como a conhecemos) é uma invenção humana, que nos torna “especiais”, constituindo hoje um mecanismo fundamental de interacção entre humanos, e … Continuar a ler

Estudo para K

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O determinado tem de voltar ao núcleo do ser

Anaximandro [610- 546 a.C] lança no campo da moralidade o devir e a dor sentida pelo Indeterminado, no momento em que algo se desprende dele e se lança na existência, apresentando propriedades definidas e qualidades determinadas. Um sofrimento só comparável, segundo Anaximandro, àquele outro que advém quando novamente o determinado tem de voltar ao núcleo … Continuar a ler

São os povos que se fazem dominar…

“Por hora gostaria apenas de entender como pode ser que tantos homens, tantos burgos, tantas cidades, tantas nações suportam às vezes um tirano só, que tem apenas o poderio que eles lhe dão […] Como diremos que isso se chama? Que infortúnio é esse? Que vício, ou antes, que vício infeliz ver um número infinito … Continuar a ler