uma filosofia toda

Alberto Caeiro

As Bolas de Sabão

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As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,

Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.

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Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.

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Fernando Pessoa (1888-1935).

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Paradigma do heterónimo Alberto Caeiro: «Mas quem me mandou querer perceber? Quem me disse que havia que perceber?» (quem disse que havia algo para perceber?)

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