Peregrinatio ad Loca Infecta

Nós que não somos naturais

Nós que não somos naturais, porque

somos quem nega a natureza, não

morreremos nunca de animais a morte.

Essa morte primeva, com que acabam

os que jamais souberam que viviam,

não nos pertence desde a hora em que

de humanidade nos fizemos homens

e ao sofrimento abrimos esta carne

embebendo-a do amor que não devera

ser mais que o cio do prazer sem nome

e sem memória alguma. Nunca mais

havemos de morrer em paz e espanto

de se acabar o mundo e não nós nele.

O que nos mata é a solidão povoada. 

Jorge de Sena (1919-1978)

de Peregrinatio ad Loca Infecta (1969), em Poesia III, Lisboa, Edições 70, 1989 [1978]

 & Vida e obra…

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