Eça

Um excertos de “A Cidade e as Serras

José Maria Eça de Queiros (1845 – 1900)

Por uma conclusão bem natural, a ideia de Civilização, para Jacinto,

não se separava da imagem de Cidade, de uma enorme Cidade, com todos

os seus vastos órgãos funcionando poderosamente. Nem este meu  supercivilizado amigo compreendia que longe de armazéns servidos  por três mil caixeiros; e de Mercados onde se despejam os vergéis e lezírias de trinta províncias; e de Bancos em que retine o ouro  universal; e de Fábricas fumegando com ânsia, inventando com ânsia; e de Bibliotecas abarrotadas, a estalar, com a papelada dos séculos; e de fundas milhas de ruas, cortadas, por baixo e por cima, de fios  de telégrafos, de fios de telefones, de canos de gases, de canos de  fezes; e da fila atroante dos ónibus, tramas, carroças, velocípedes,  calhambeques, parelhas de luxo; e de dois milhões de uma vaga  humanidade, fervilhando, a ofegar, através da Policia, na busca dura do pão ou sob a ilusão do gozo — o homem do século XIX pudesse  saborear, plenamente, a delícia de viver!

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