sortilégio

Pessoa, de seu nome Fernando António Nogueira Pessoa, construiu a sua Universalidade com uma fantástica projecção planetária que muito dificilmente se negará!…

De forma genial posiciona Portugal, também ele, na galáxia luminosa da História do Universo. Sendo bilingue, por várias vezes exaltou a Língua Portuguesa como matriz  eleita  da expressão da sua arte e pensamento. O sonho/presságio de querer Portugal como engrenagem de transformação cultural  do mundo, com a mudança interna que isso impõe, vem não só do destino efectivo de Portugal de dar novos mundos ao mundo, mas também da sua miragem poética, visionária e transcendente, onde a grandeza ímpar da epopeia do passado anunciaria  um misterioso e decisivo papel no resplandecer do futuro.

Assim, como todos sabem, temos uma parte da sua Obra com poemas da exaltação (e não só…) dos feitos do “Portugal Histórico” (Mensagem), acentuando os mitos, dando côr aos mistérios (que realmente existem…). Cantando em suma os “Heróis de Portugal” e seus feitos inegavelmente extraordinários merecedores da admiração e do espanto da humanidade. Existem também outros poemas e  escritos que se inscrevem na “temática dos heróis”,  sendo a Língua Portuguesa  e Portugal fulcros da construção poética ou narrativa.

Bem, mas vamos à questão propriamente dita: o aparecimento do uso (abuso) da poesia de Fernando Pessoa (tem o marketing assegurado!…) para fins de um nacionalismo equívoco e colado a teorias sociais de gosto duvidoso. O poeta, nem nos seus escritos mais nacionais, nunca foi o que se pode chamar um “nacionalista”. Teve ainda alguns desentendimentos com o poder  tal como o grande Camões que também cantou a Pátria e teve fracas relações com a Coroa…

Como acima terá ficado sumariamente explicado, o que sobressai em Pessoa, na sua faceta “patriótica” é o destino e o percurso singular de um Povo, suas glórias, seus gloriosos, seus mares desvendados e suas brumas. E por entre a incógnita do tempo e dos personagens há sempre implícitas reticências… Nunca por nunca de braço dado com algum tipo de poder ou grupo ideológico instituídos. A sua presença “exclusa” impõe-se sobretudo pela dimensão Universal da sua escrita.

O que assusta é que tão inegualável legado possa, nas mãos de facções ignorantes, ser distorcido e irmanado com ideologias retrógradas, colocando  Pessoa ao serviço de propraganda ignóbil a ideais esfarrapados de parcelas sociais que, com fins-que-não-olham-a-meios, vão sempre convencendo os mais inocentes, os mais desiludidos e os que de alguma forma se possam identificar com “a mensagem” ardilosamente fabricada. Aqui fica então um alerta! Atenção sobretudo aos títulos e chavões que pretendem insinuar falsas afinidades!…

Não haverá contudo lugar a grandes temores pois, o que do quase palpável espírito pessoano emerge, quanto mais da terrena morte se afasta tanto mais da eternidadade se aproxima. De tal forma que povoa uma vastidão com contornos dificilmente mensuráveis. Pairará pois intocável e distante no espaço da inteligência colectiva, ampliando sempre a consciência e o conhecimento.

Se é verdade que há um sortilégio na Obra de Fernando Pessoa então está cada vez mais vivo!

 

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