poesia angolana

José  Eduardo  Agualusa

Os rios atônitos

(Ouvindo “Kongo”, por Miriam Makeba) Há palavras a dormir sobre o seu largo assombro Por exemplo, se dizes Quanza ou dizes Congo é como se houvesse pronunciado os próprios rios Ou seja, as águas pesadas de lama, os peixes todos e os perigos inumeráveis O musgo das margens, o escuro mistério em movimento. Dizes Quanza ou dizes Congo e um rio corre Lento em tua boca. Dizes Quanza e o ar se preenche de perfumes perplexos. E dizes Congo e onde o dizes há grandes aves e súbitos sons redondos e convexos. E dizes Quanza, ou dizes Congo e sempre que o dizes acorda em torno um turbilhão de águas: a vida, em seu inteiro e infinito assombro.

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